domingo, 20 de dezembro de 2009

Tchago

Os lábios que soletram seu nome são os mesmos que soletram delicadamente "eu te amo"...
De que adiantam os acessórios e as armas
Se minhas defezas viraram pó
Ela não poderia ter se entregado com tanta fé
Nos braços desconhecidos dele
Sem saber um destino
Sem medo de ser ninguém
Eu não era um simples pedaço de pele
Minha boca não fala inconstantes palavras sem sentido
Eu não sabia amar
Enquanto achava que amo era só alegria
E ele mudou
Cada pedaço de visão
Não foi o vinho em excesso ou mesmo ardência extrema na cama
Foi ele
Que engoliu a mulher sem saber que a roubaria por completo
Ele que a afoga em lágrimas e sorrisos
e a faz decobrir cada dia mais sobre amar
ele que erra como humano ele que a faz ser feliz
ele

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ela


Ao colocar os pés pra fora de casa deixei os sapatos, os cadarços e as meia para trás. Sau nua, crua e vazia na rua fria. O oco que invade o peito não é como costumava ser antes... do-lo-ro-so... e se torna parte de mim, da pele e das unhas mal feitas.
Ainda bem que me restava o último gole de bebida quente e amarga, e o cigarro amassado no fundo do bolso.
Aconteceia muito, o não se importar.
Todos aqueles homens sujos pelos quais passou a vida, ela sentia nojo de si mesma. Não poderia ter pena pois não lhe restava nada. Nojo, ela pensava, enquando caminhava rumo ao não rumo, nojo. Bastardos, falidos, podres e encardidos. E quem diria que minhas mão seriam parte de seus corpos.
"Eu poderia cortá-las fora"... "Eu poderia cortar-me fora, para fora de mim"...
Precisou sentar, os joelhos pareciam envelher a cada passo. Ela sentia nojo, de todos e de si...

(Continua)