sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ela


Ao colocar os pés pra fora de casa deixei os sapatos, os cadarços e as meia para trás. Sau nua, crua e vazia na rua fria. O oco que invade o peito não é como costumava ser antes... do-lo-ro-so... e se torna parte de mim, da pele e das unhas mal feitas.
Ainda bem que me restava o último gole de bebida quente e amarga, e o cigarro amassado no fundo do bolso.
Aconteceia muito, o não se importar.
Todos aqueles homens sujos pelos quais passou a vida, ela sentia nojo de si mesma. Não poderia ter pena pois não lhe restava nada. Nojo, ela pensava, enquando caminhava rumo ao não rumo, nojo. Bastardos, falidos, podres e encardidos. E quem diria que minhas mão seriam parte de seus corpos.
"Eu poderia cortá-las fora"... "Eu poderia cortar-me fora, para fora de mim"...
Precisou sentar, os joelhos pareciam envelher a cada passo. Ela sentia nojo, de todos e de si...

(Continua)

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